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CUT-RS reforça jejum iniciado em Porto Alegre contra reforma da Previdência de Temer

Publicado em 13/12/2017

A CUT-RS e vários movimentos sociais iniciaram na manhã desta quarta-feira (13) um jejum contra a reforma da Previdência, na esplanada da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Cada participante ficará por um período de 48 horas, quando será substituído por outro representante.

A iniciativa conta com o apoio de diversos movimentos sociais, igrejas e parlamentares, como forma de manifestar apoio à greve de fome de nove companheiros em Brasília, alguns já há nove dias, com o objetivo de evitar a votação dessa reforma que não acaba com privilégios, mas acaba com o direito à aposentadoria de milhões de trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade.

Antes do início, foi realizada uma coletiva de imprensa, onde diversas lideranças sindicais, sociais, políticas e religiosas falaram para esclarecer a sociedade sobre o jejum e chamar a atenção para a necessidade de ir ao extremo para derrubar este que é um dos maiores ataques aos direitos do povo brasileiro.

O representante da coordenação nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Miqueli Schiavon, disse que os trabalhadores rurais serão tão atingidos quanto os trabalhadores urbanos. Além disso, o agricultor terá que começar a pagar mensalmente a Previdência, enquanto hoje ele contribui sobre a venda da sua produção, que depende do período da safra.

Schiavon frisou que o movimento em solidariedade aos grevistas de Brasília está ocorrendo em diversos estados e municípios. “Em muitas assembleias legislativas e câmara de vereadores temos companheiros fazendo jejum contra a reforma da Previdência”, esclareceu.

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“Perderam o juízo”

O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, que é um dos participantes do jejum, afirmou que “esta é a reforma dos banqueiros”, que levará o trabalhador a se aposentar somente quanto estiver morrendo. “Foram feitas alterações, mas ela continua sendo perversa. É um golpe num direito fundamental e sagrado do trabalhador. Eles (referindo-se aos golpistas) perderam o juízo”, destacou.

Ele lembrou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado, presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), já provou que essa reforma não é necessária e, caso seja colocada em votação, os trabalhadores paralisarão o Brasil. “Temos muitos instrumentos para levantar a classe trabalhadora e estamos preparando um grande enfrentamento. O Brasil vai parar”, avisou.

Sobre o jejum, Nespolo exlicou que a CUT-RS se une ao movimento para ajudar a promover a reflexão junto à população e mostrar que não se pode admitir mais este ataque aos trabalhadores do campo e da cidade e que é preciso exigir das bancadas dentro do Congresso Nacional, que joguem essa reforma no lixo. “A CUT-RS não poderia estar em outro lugar”, finalizou.

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“Não podemos ficar de braços cruzados”

A representante do MPA-RS, Rosieli Cristine Ludtke, destacou que a luta contra a reforma da Previdência está ocorrendo desde o início do ano e, por isso, segundo ela, se arrastou até dezembro. “Estamos realizando aqui neste local um jejum de fome para nos irmanar e fortalecer a greve dos companheiros em Brasília. Não podemos permitir que sejam retirados nossos direitos de braços cruzados e esta é uma forma justa de fazer a luta. Cumprimos um papel estratégico, que é colocar alimento na mesa dos trabalhadores e, por isso, não vamos nos alimentar por uns dias, para não passar fome no futuro”, frisou.

O deputado estadual Altemir Torelli (PT) reiterou que esta luta tem sido uma longa caminhada. “Este é um momento de resistência da bancada e chamamos a atenção dos deputados dos partidos que estão defendendo a reforma da Previdência que nem uma única vez foram à tribuna da Assembleia para defender a reforma, seus deputados federais no Congresso ou a posição de seus partidos. Estão com medo do que vai ser o resultado nas eleições em 2018, já que estão destruindo a nação e os direitos do povo brasileiro”.

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“Precisamos levantar o povo”

O bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre, Dom Adilson Pedro Busin, representante da Igreja Católica, reafirmou o apoio à luta contra a reforma da Previdência. “Onde está o povo de luta, ali deve estar a Igreja”, destacou. “Estamos aqui juntos, para que seja não somente esta célula, mas para que possamos levantar o povo, ir para as ruas contra as injustiças que estamos vendo. Temos que reacender a esperança. Precisamos pensar a sociedade como um todo e trabalhar para superar todas as dificuldades”, declarou.

Na mesma linha, o bispo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e presidente da diretoria do CONIC/RS, Dom Humberto Maiztegui, também se posicionou em defesa da democracia e dos direitos e frisou que ali estavam representados todos os movimentos ecumênicos e interreligiosos. O bispo lembrou que ser cristão não é apoiar a forme, a discriminação. “Isto não está na Bíblia em lugar algum. O que esta lá é que são bem aventurados os que têm fome de justiça, porque serão saciados. E que esta fome de hoje, nos sacie no futuro. Hoje se faz greve de fome, para que o povo não passe fome”.

O religioso também destacou que o Brasil ainda é um país escravagista e que, quando avançou só um pouquinho, ainda querem retroceder e que o povo morra trabalhando. “Temos que estar nas ruas, nos locais de trabalho, na internet, dizendo basta de fome, basta de injustiça, queremos ser saciados porque temos fome e sede de justiça”, conclamou.

Último a falar, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Edgar Pretto (PT), resgatou as inúmeras audiências feitas para debater a reforma da Previdência pelo interior do Estado, quando foi colocado às lideranças políticas que não se acovardem neste momento. “Temos que dar luz e voz àqueles que se levantam contra esta reforma injusta e covarde, porque cobra dos pequenos, dos mais fracos, enquanto privilegia os grandes”.

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Confira os participantes das primeiras 48 horas de jejum:

Claudir Nespolo – CUT-RS

Caio Piccarelli – Levante Popular da Juventude

Vera Lemos – MST

Paulo Moranza – MST

José Orestes – MPA

Rafael Figueira Coelho – Levante Popular da Juventude

Julio Cesar de Lima – comunidade da Vicelia

Mário Luiz – MPA/Amaral Ferrador

Fátima Maria de Freita – Federação dos Trabalhadores na Alimentação do RS

Bruna Mariana Silva – MPA

Gregori Teixeira da Silva – MPA

Deputados Nelsinho Metalúrgico, Tarcísio Zimmermann, Jeferson Fernandes, Altemir Tortelli, Adão Villaverde e Stela Farias, todos do PT.

Acompanhamento médico

Dois médicos estão de plantão no local, sendo responsáveis por acompanhar o jejum e a situação física dos participantes. De acordo com os médicos, eles ingerirão apenas água.

 Transmissão ao vivo

A abertura do jejum teve transmissão ao vivo da Frente Brasil Popular do RS na página do Facebook, que foi compartilhada pela CUT-RS, onde pode ser assistida.

 

Fonte: CUT-RS