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CUT-RS protesta contra “jornadas” dos golpistas e do deputado Ronaldo Nogueira em favor da reforma trabalhista de Temer

Publicado em 22/06/2018

A CUT-RS e sindicatos filiados organizaram uma agenda de protestos contra a reforma trabalhista do presidente ilegítimo Michel Temer (MDB), que serão realizados em contraponto às conferências regionais que integram a nova estratégia dos golpistas para defender as perversas medidas que retiram direitos da classe trabalhadora. O objetivo é denunciar os retrocessos trazidos pela legislação que veio para desmontar a CLT, precarizar o trabalho, enfraquecer os sindicatos, limitar o acesso à Justiça do Trabalho e engordar os lucros das empresas.

As chamadas ”Jornadas Brasileiras das Relações de Trabalho” foram lançadas na terça-feira (19) na Câmara dos Deputados e serão promovidas até 28 de setembro, ou seja, exatamente uma semana antes do primeiro turno das eleições deste ano. A iniciativa é do Instituto Brasileiro de Cultura e Ensino (Ibec), sob a coordenação-geral do ex-ministro do Trabalho e atual presidente da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS).

Segundo o Ibec, a proposta das “Jornadas” é defender os “avanços” da reforma trabalhista – Lei 13.467/2017, promulgada em 13 de julho de 2017 e vigente desde 11 de novembro. As conferências contam com a parceria de confederações e federações patronais, como a Febraban, Fiergs, Federasul, Fecomércio e Farsul, redes de comunicação (Record, Band e Pampa) e universidades privadas, incluindo várias instituições gaúchas, dentre outras.

Nogueira

O público-alvo são advogados, juízes, integrantes do Ministério Público e auditores fiscais do Trabalho, responsáveis pela aplicação direta da nova legislação, além de universitários, docentes e pesquisadores de Direito.

No Rio Grande do Sul estão previstas 16 conferências. A primeira ocorreu nesta quinta-feira (21), no Personal Royal Hotel. Em Porto Alegre, o evento foi transferido para o próximo dia 13 de julho, no Hotel Sheraton, no bairro Moinhos de Vento.

Entre os palestrantes estão os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Alexandre Agra, Aloysio Corrêa, Douglas Alencar, Ives Gandra Martins Filho, Maria Cristina Peduzzi e Gelson Azevedo, e os desembargadores do Trabalho Sérgio Torres e Vólia Bonfim.

Reforma indefensável

Para o presidente em exercício da CUT-RS, Marizar de Melo, a reforma trabalhista “é indefensável”, pois “escraviza a mão de obra e cria as condições ideais para que os empresários aumentem seus lucros”. O dirigente sindical aponta que as “Jornadas” têm o apoio “dos mesmos empresários que ajudaram o ex-ministro do Trabalho a destruir os direitos da classe trabalhadora e agora estão em campanha para a sua reeleição como deputado”.

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Marizar aponta que o primeiro ano de vigência da reforma trabalhista coincide com o aumento do desemprego. A taxa de desemprego do Brasil cresceu para 13,1% no primeiro trimestre de 2018, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que totaliza 13,7 milhões de desempregados no primeiro trimestre deste ano, o mais alto nível de desocupação desde 2012.

“Nós sabemos que milhares de trabalhadores perderam seus empregos por conta da reforma e não aparecem nas estatísticas do governo, o que pode elevar o desemprego para até 30 milhões de brasileiros”, alerta.

O secretário de Relações do Trabalho da CUT-RS, Antonio Güntzel, considera que a nova legislação promove o desmonte da CLT, limita o acesso à Justiça do Trabalho “e veio para quebrar os sindicatos e acabar com a rede de proteção do trabalhador, o elo mais fraco nas relações entre capital e trabalho”.

Antonio

“Se essa reforma trabalhista fosse boa, essa gente não iria gastar tempo e dinheiro para viajar pelo Brasil em defesa dessa legislação”, questiona.

O secretário-geral adjunto da CUT-RS e diretor do Sinpro/RS, Amarildo Cenci, vê com preocupação o apoio de universidades gaúchas a um evento que visa mudar a narrativa sobre a reforma trabalhista.

“O Sinpro/RS vê com estranheza que instituições de ensino superior como URI, Unisc, Urcamp, UCS e Unijuí sejam apoiadoras de um evento que quer demonstrar modernidade de uma reforma que só traz prejuízos aos direitos dos trabalhadores e que, a pretexto de gerar empregos, o que se tem visto é a precarização do trabalho, a diminuição da renda, o aprofundamento do desemprego e o retorno da miséria”, afirma.

Amarildo

 

 

Fonte: CUT-RS com Gilson Camargo – Sinpro/RS